foto: Adrovando Claro
 
Professor com deficiência visual ensina em escola de Natal
 
Lenilson Gomes Xavier é professor polivalente da Escola Municipal São Francisco de Assis. Egresso da rede pública de ensino, Lenilson sempre gostou de ensinar, compartilhar conhecimento, mas até os 21 anos trabalhava como letrista, cabeleireiro e montador de móveis. Nessa idade foi baleado durante uma troca de tiros enquanto caminhava na rua e perdeu a visão. A partir de então, resolveu superar os obstáculos e realizar um de seus maiores desejos: lecionar.

O professor Lenilson Xavier fala sobre sua vontade de ensinar. “Na minha juventude, tudo que eu aprendia, algum trabalho que eu sabia fazer, até mesmo do que não era assunto escolar, coisas da vida, eu gostava de passar, transmitir, compartilhar o conhecimento. Sempre gostei de fazer isso”.

Com habilidade para atividades manuais, ele realizava diversos trabalhos que ocupavam todo o seu tempo. “Eu fazia a sétima série do Ensino Fundamental com 21 anos. Tinha habilidade de ser letrista, também gostava de ganhar dinheiro montando móveis e entrei no ramo de cabelo. Eu ganhava dinheiro e pensava: ou estudo ou trabalho, acho melhor trabalhar. Estava ganhando bem”, relembrou.

Foi nessa idade que Lenilson foi atingido por uma bala perdida. “Alguns jovens estavam discutindo na rua, e, trocando tiros, me acertaram”, relata. Após se recuperar da cirurgia, passou por um processo de reabilitação no Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos do RN (IERC-RN). “Lá é um canto muito agradável e tem uns que não querem sair. Mas tinha uma diretora lá que dizia ‘a asa a gente dá e vocês voam’ e eu dizia ‘e eu vou voar’”.


Cerca de dois anos após o acidente, Lenilson voltou a estudar e concluiu o Ensino Médio. Foi então que decidiu realizar sua vontade de ser professor e prestar o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que ainda não contava com provas adaptadas para pessoas com deficiência visual. No seu terceiro vestibular, em 2006, com condições adequadas para realização do exame, foi aprovado para o curso de Pedagogia.


Após concluir a graduação, Lenilson realizou concursos e foi aprovado e convocado pelas prefeituras de Natal e Parnamirim e pelo governo do Rio Grande do Norte. Hoje, além de lecionar na Rede Municipal de Educação de Natal, o pedagogo é especialista de suporte pedagógico na Rede Estadual. Anteriormente, ministrou aulas de formação de professores na área de inclusão.

Atuando na Rede Municipal e em sala de aula há três anos, o professor conta sobre sua rotina de trabalho. “Dentro da sala de aula, o que depende da visão fica mais difícil. Mas eu percebo quando os alunos estão agitados, quando se levantam, de onde estão vindo. Quando eu estou falando, e algum deles se levanta, eu tenho um professor que auxilia”.

Além do suporte durante as aulas, o professor auxiliar trabalha junto ao docente Lenilson na preparação e correção das avaliações. “O auxiliar lê a prova, eu digo se está certo ou errado e ele coloca a nota. A prova eu faço, porque eu utilizo o computador, mas eu preciso de auxílio para formatação”, conta Xavier.

O docente fala ainda sobre a recepção que teve na escola. “Quando eu cheguei os pais tiveram aquela surpresa, ficaram chocados, na verdade. Mas os meninos queriam saber como eu perdi a visão. Os alunos recepcionaram mais naturalmente. Os pais ficaram confusos: ‘será que vão conseguir aprender mesmo?’, mas já estão acostumados”.

Sobre o relacionamento com os alunos, conclui: “Eles tratam como comum, não fazem aquela diferença. É uma relação natural. Os estudantes saem com uma modificação no que pensar sobre a pessoa com deficiência visual. É como se fosse algo já cultural neles”. (Reportagem - Lia Pinheiro)

 


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