Cotidiano

Fundo de População da ONU reúne relatos de mulheres que viveram situações de violência

No sábado (25/11), começou em todo o mundo a campanha anual de 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Baseada em Gênero. No Brasil, o lançamento aconteceu um pouco mais cedo, na segunda-feira (20/11), Dia da Consciência Negra, para lembrar que as mulheres negras brasileiras são as principais vítimas deste tipo de agressão. Como parte da iniciativa global, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) reuniu relatos de mulheres de diferentes lugares do mundo sobre o tema.

“Isso é o que sobrou dos meus dentes depois que meu marido bateu em mim”, conta Ameera* em um abrigo para mulheres no sudoeste do Iêmen. Ela segura três estilhaços brancos, que guarda como evidência para o processo de divórcio. “Ele me bateu tão forte que quebrou meus dentes e meu nariz”, disse ao UNFPA.

A violência contra mulheres e meninas é o desrespeito contra os direitos humanos mais penetrante no mundo – afeta todos os países e todas as comunidades. Uma em cada três mulheres vai passar por alguma forma de abuso ao longo da vida, segundo a agência da ONU. Desde outubro, milhões de mulheres em mais de 80 países compartilharam testemunhos de assédio, agressão e terror – apenas um vislumbre da terrível magnitude do problema.

A violência baseada em gênero inclui de abuso psicológico e privação econômica a espancamento, estupro e privação da liberdade.

Na Bolívia, Carmen* fugiu para os banheiros da universidade para escapar do implacável abuso verbal do namorado. O UNFPA fotografou um desses banheiros depois que Carmen contou sua história para pesquisadores da universidade. “Essas pequenas coisas vão se somando”, disse. “Elas afetam sua autoestima, elas mudam você”.

Na Jordânia, UNFPA entrevistou Dra. Rania Elayyan, especialista em tratamento de pessoas que sobreviveram a abusos sexuais. Elayyan falou sobre as consequências do estupro — para além das lesões físicas, as sobreviventes precisam encarar as consequências em suas vidas, como o estigma, doenças e a gravidez.

Práticas prejudiciais

Práticas tradicionais, como a mutilação genital feminina e o casamento infantil também provocam danos. Na Somália, uma pessoa que conduzia mutilação mostrou ao UNFPA lâminas que usava para cortar meninas. Globalmente, mais de 200 milhões de mulheres e meninas vivem mutiladas, uma prática que pode causar hemorragia, infecção e morte.

Na Zâmbia, Mirriam, de 14 anos, foi obrigada a se casar com um homem de 78 anos. “Imediatamente depois que ele pagou o dote aos meus responsáveis, me levou para sua casa, me despiu e me forçou a dormir com ele”, contou a uma conselheira em Lusaka. O UNFPA fotografou as cadeiras usadas nas sessões de aconselhamento.

De acordo com a agência da ONU, atitudes negativas sobre mulheres e meninas também abrem caminho para o abuso.

Balgees* contou que foi mantida em cativeiro desde os 9 anos junto com a irmã, no Iêmen. Por 20 anos, foram trancadas em um quarto escuro por seus irmãos, que temiam que as meninas envergonhariam a família se fossem vistas em público.

“Os vizinhos nos davam comida pela janela. Até que um dia, eles nos resgataram e nos levaram a um abrigo para começar uma vida nova”, explicou Balgees. Com a permissão dela, aqueles vizinhos ajudaram o UNFPA a fotografar a casa, que agora está abandonada.

Proteção corroída

As crises humanitárias deixam as mulheres em situação de maior vulnerabilidade, pois elas se tornam alvo de agressão e violência, de acordo com o UNFPA. Com os sistemas de proteção corroídos e famílias em situação de estresse, a violência pode se intensificar dentro de casa.

No norte da Nigéria, Zeinabu, de 22 anos, estava recolhendo lenha quando foi atacada por combatentes do Boko Haram. Os homens atiraram nela, mas ela conseguiu escapar. “Eu larguei tudo o que tinha e corri por minha vida”, contou.

Algumas das histórias mais chocantes vêm do Iêmen, um país devastado por conflitos brutais, onde os relatos de violência têm aumentado em mais de 60%. Mas mesmo antes da crise, meninas e mulheres contavam com pouca proteção. Rawa*, de 16 anos, conta que o próprio pai a amarrava e a estuprava. Ele acabou preso e Rawa foi levada a um abrigo. Com permissão dela, um fotógrafo visitou a casa vazia para registrar a corda e a cama.

Uma luz em meio à escuridão

O UNFPA trabalha com parceiros, incluindo governos, organizações de mulheres e grupos de jovens, para acabar com a violência baseada em gênero e a impunidade que a perpetua. O UNFPA também apoia clínicas, como a que a Dra. Elayaan trabalha, para providenciar cuidados sensíveis e constantes às sobreviventes, assim como abrigo – como os que Ameera, Balgees e Rawa vivem no Iêmen.

No Camboja, Ry se arrepende de ter violentado a esposa. Desde que aderiu à campanha Homens Bons, apoiada pelo UNFPA, ela aprendeu a controlar a raiva e a resolver conflitos de maneira pacífica. Ele também começou a falar com outros homens sobre a necessidade de acabar com a violência baseada em gênero.

 


Contato

FOLHA DA CIDADE

Folha da Cidade é um jornal periódico online do Rio Grande do Norte
Equipe: Fernando Pereira-DRT RN 154 JP(Editor, jornalista e reporter fotografico), Elias Medeiros - DRT RN 1683 JP(Jornalista e Repórter fotográfico), Adrovando Claro-DRT RN 531 RF, José Aldenir - DRT RN 90 RF e Cláudio Marques DRT RN 50 RF(Repórteres fotográficos), Charge: Téo Duarte(DRT 1343/RN). Contato: Caixa Postal 2708 - Natal - RN - 59025-971 - Brasil.
Material enviado por colaboradores, assessorias de imprensas e coletado de órgãos de imprensa em geral. As matérias publicadas não traduzem necessariamente a posição jornalísticas da Folha da Cidade. O material pode ser reproduzido desde que respeitado integralmente as fontes.