Especial

Alunos da E.M. Nossa Senhora da Apresentação visita Solar Ferreiro Torto

O projeto Pelotão da Cidadania levou 25 alunos da E. M. Nossa Senhora da Apresentação, localizada na zona norte, para uma visita especial ao Solar Ferreiro Torto em Macaíba (RN). O lugar destaca-se por ser um marco histórico, que remonta ao ano de 1614, quando era conhecido por Engenho Potengi. O local foi cenário de inúmeras batalhas envolvendo colonos holandeses, portugueses, índios e escravos africanos. O prédio chegou a ser praticamente destruído. Somente no Século XIX, em 1845, foi reformado e recebeu a atual denominação de Solar do Ferreiro Torto, servindo como moradia para muitas famílias nobres da cidade.


Os estudantes conheceram de início a planta que marca a ecologia do lugar, chamada de Coité, que vem do tupi e significa “vasilha ou panela”, arvore que é ornamental, decorativa. Os frutos maduros da planta só são utilizados a casca para fazer artesanato e vasilhames para cozinha. Depois os alunos seguiram num roteiro para ruinas da Capela e o Cais. Caminharam por uma pequena trilha vendo características do mangue com um terreno coberto por espécies vegetais preservadas da mata atlântica até a sede do antigo engenho, onde observaram na entrada os restos de uma maquinaria artesanal que servia para triturar a cana de açúcar.


No prédio do Solar Ferreiro Torto, conheceram a arquitetura marcada pelas colunas, janelas com beirais, frisos na fachada, escada, dois pavimentos e vista panorâmica para um jardim. Na parte de cima do prédio, existem as fotos de personalidades da cidade de Macaíba que se destacaram na história do município como Augusto Severo e a poetisa Auta de Souza. Também viram de perto a parte do trabalho artesanal do século passado, manufatoras que eram utilizadas nos engenhos como o emprego do carro de boi, utensílios da fabricação da rapadura e da casa de farinha. Objetos como baús, cadeiras, iluminarias, roupas e livros das épocas dos padres que rezavam a missa ainda em latim, e também a cafua, um aposento que servia de prisão e castigo para os escravos.


Conheceram ainda a famosa “Lenda do solar do Ferreiro Torto”, cujo a filha do senhor do engenho se apaixonou por um escravo. Até que um dia o pai viu os dois conversando. Então ele resolveu agir, foi pegar uma arma para matar o escravo, mas quando ele atirou, sua filha se colocou na frente e o pai acabou matando ela própria. Com muita raiva desse escravo, ele chamou os capitães-do-mato que o enterraram vivo de cabeça para baixo. Essa parte da narrativa foi encenada numa improvisação feita pelos próprios alunos com a explicação e ajuda do guia do solar. Finalizando a visita, foi apreciado a vista a partir da estátua do escravo situada na frente do prédio que tem o significado marcante e histórico da abolição da escravatura no Rio Grande do Norte.


Para a professora Rosenilda Cordeiro da Silva Santana, que leciona o 5º ano C, da E. M. Nossa Senhora de Apresentação, a proposta do passeio foi para ter mais uma noção do museu observando os detalhes de perto e que os alunos venha adquirir mais conhecimentos históricos do lugar, aprimorando o que já tinha aprendido acerca do Solar Ferreiro Torto. “Vamos aplicar atividades em sala de aula para reforçar justamente as informações que tiveram no roteiro percorrido do Solar Ferreiro Torto e aprimorar o que já conheciam através dos textos lidos e que aprenderam nas aulas”, disse Rosenilda Cordeiro.


A aluna Maria Fernanda Ferreira da Silva, 11 anos, destacou que na visita ao Solar Ferreiro Torto reconheceu em detalhes porque os escravos sofriam muito no trabalho e também porque as mulheres da casa-grande davam seus filhos para as escravas amamentar. “Disseram ainda que o museu era assombrado, mas na verdade não é, também conheci a estátua representando os escravos e que simbolizava a libertação dos escravos”, afirmou Maria Fernanda. O Museu Solar Ferreiro Torto é acompanhando de estórias assombrosas e há relatos que algumas pessoas escutaram vários gritos de dor e choros de lamento, além de sons de correntes arrastando pelo local. Dizem que são espíritos de escravos não conformados com os severos castigos que recebiam do senhor de engenho, retornam para lamentar e assombrar.


O Engenho do Ferreiro Torto, construído no século XVII, inicialmente tinha o nome de Engenho Potengi, e foi o segundo engenho de cana-de-açúcar a ser erguido no Rio Grande do Norte. O nome Ferreiro Torto, teve origem em um coqueiro muito alto e torto, que existia bem próximo à porteira da fazenda, e quase embaixo dessa árvore um ferreiro havia montado a sua tenda e oferecia os seus serviços aos tropeiros, que por ali passavam e tinham necessidade de corrigir as ferraduras dos seus animais.
Texto e Fotos: Adrovando Claro

 


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