23/07/2018 12:45

Fazendo freelance no exterior: Paris pelos olhos de uma repórter refugiada


Clothilde Goujard 


Sara Farid levou menos de um mês para fazer as malas, sair de seu país de origem e se mudar para a França. A fotojornalista freelance paquistanesa não teve escolha.

Em 10 de janeiro de 2018, seu marido, o premiado jornalista Taha Siddiqui, foi atacado e escapou por pouco de um sequestro. Ele já havia recebido inúmeras ameaças por ser franco e crítico aos militares paquistaneses.

A rede de televisão francesa, France 24, para quem ele trabalhava regularmente, sugeriu que ele viesse trabalhar em Paris, e a embaixada francesa ajudou com vistos.

"Arrumamos nossa vida no Paquistão e nos mudamos", disse Sara, agora com cinco meses de exílio forçado.

Quando o casal decidiu fugir do país com o filho, eles pensaram que seria apenas por algumas semanas. Mas logo perceberam que a situação dos jornalistas no Paquistão estava se deteriorando e se tornando muito perigosa.

“As eleições estão chegando no Paquistão [...] Outro jornalista foi pego pelo exército, e todos nos disseram que não seria seguro”, disse ela.

Além de navegar pelos perigos na vida dela e do marido, Sara também precisa reconstruir sua vida profissional, encontrar uma nova rede, construir relacionamentos com editores e acompanhar as notícias na França.

Depois de uma carreira de 15 anos como produtora de televisão, ela trabalhou como freelancer no Paquistão para organizações como a Reuters e o New York Times nos últimos quatro anos. Ela teve que informá-los de sua situação e pedir para se conectar com novos editores.

“Eu não conheço ninguém, então vai levar algum tempo para conhecer pessoas. É literalmente como começar do zero”, disse ela. "Fazer freelance é difícil em qualquer lugar, mesmo no Paquistão não era fácil... agora tenho a desvantagem de não saber francês."

Por enquanto, ela também está se concentrando em encontrar moradia. Os apartamentos são caros em Paris e Sara acha que provavelmente terá que ficar nos subúrbios. Ela e o marido tiveram que explicar ao filho de quatro anos sobre a situação e ajudá-lo a adaptar-se à sua nova escola francesa, a uma língua desconhecida e ao desenraizamento geral de seus amigos e familiares.

"Temos sido muito abertos com ele, tanto quanto [podemos]", disse ela. "Tivemos que explicar as circunstâncias em que tivemos que decidir deixar a nossa vida no Paquistão e vir para Paris."

Adaptar-se na França está sendo um desafio para Sara que, além de ser forçada ao exílio, nunca viveu no exterior e não fala francês.

Ela e sua família estão recebendo ajuda da Maison des Journalistes e Repórteres Sem Fronteiras. Através deles, ela encontrou aulas gratuitas de francês ensinadas por voluntários.

Mesmo que seu futuro seja incerto, Sara está determinada a aprender a língua para se integrar e, eventualmente, conseguir trabalhar. Na Maison des Journalistes, ela conheceu outros jornalistas que tiveram que fugir do Afeganistão e da Síria e também não falam francês.

“Eles nunca tentaram aprender a língua, já que não sabiam se ficariam por muito tempo, mas acabaram ficando aqui”, disse ela. "Depois de vários anos, é ainda mais difícil aprender porque você pegou a maneira errada de pronunciar palavras."

Para freelancers que se encontram em uma situação semelhante, ela os aconselha a pesquisar organizações em seu país anfitrião, como a Anestia Internacional, Repórteres Sem Fronteiras ou Maison des Journalists e conectar-se com eles.

“Não seja tímido de entrar em contato. Você precisa escrever constantemente para as pessoas [e] explicar o que você está acontecendo”, disse ela.

“Acho difícil explicar minha situação para as pessoas, é muito particular. Mas então percebi que não se trata mais de privacidade, é uma luta pela sobrevivência e há pessoas por aí, organizações que podem ajudá-lo e você deve pedir ajuda.”

Desde sua chegada, Sara começou a acompanhar os eventos atuais na França através do site inglês France 24. Ela trabalhou novamente para o New York Times, contribuindo para uma matéria sobre uma estudante universitária muçulmana em Paris, e espera que seu domínio de francês e networking significará que ela poderá em breve encontrar mais trabalhos cobrindo direitos humanos e histórias de interesse humano.

 

 

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